O futuro do mercado imobiliário mora na colaboração

Um ecossistema colaborativo. Assim pode ser definido o futuro que vem sendo construído para o mercado imobiliário, que marcou o tom de boa parte da programação do Smartus Proptech Summit. O evento aconteceu no último dia 16, em São Paulo, e reuniu um grupo de construtores, incorporadores e executivos de empresas da construção civil. A CUPOLA, responsável pelo Imobi Report, foi parceira de mídia da Smartus para este evento e esteve presente acompanhando às palestras.

Fornecedor passa a ser sócio, concorrente passa a ser parceiro. “Cada um focado em sua especialidade. O setor imobiliário vai migrar para isso”, apontou o CEO da Vitacon, Alexandre Frankel, que aproveitou a oportunidade para apresentar-se como parceiro aos demais construtores e incorporadores. Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa, seguiu nessa mesma direção, apresentando as mais de 40 martechs que integram o ecossistema da construtora. “Menos ego e mais eco” é a evolução do mercado imobiliário.

Num bate-papo sobre marketplace, Gustavo Vaz apresentou o case da sua imobiliária digital, acelerada por Harvard. A EmCasa aposta na experiência do cliente para inovar no setor. Para isso, investe na gestão de talentos: os corretores são bons vendedores, jovens vindos de fora do imobiliário, que recebem salário fixo, mais comissão – que varia conforme a avaliação do atendimento pelo cliente, chegando a zero se a experiência de venda não for bem avaliada.

Direto de Wall Street, o CEO da Regus do Brasil, Tiago Alves, apresentou dados que demonstram o impacto dos coworkings sobre o mercado de imóveis comerciais. Nos EUA, 80% dos candidatos de emprego optam por vagas com flexibilidade de horário e a possibilidade do trabalho remoto. A flexibilidade dos coworkings também representa um ganho de produtividade que precisa ser olhado pelo segmento: “O metro quadrado mais caro é aquele que você não utiliza”.

E chega a 60% a área subutilizada em imóveis corporativos. Aquela sala de reuniões extra que é usada uma vez por semana, o centro de convenções que só recebe eventos a cada dois meses. Áreas construídas que não têm seu potencial aproveitado geram perdas anuais de ordem de 30 bilhões de dólares, somente nos EUA. A demanda é crescente por espaços mais flexíveis, tendência observada também no residencial. “As pessoas querem uma experiência mais encantadora no local de trabalho. Work the way we live. O negócio de imóveis corporativos não é mais sobre gestão de propriedades, é sobre a experiência das pessoa em seu local de trabalho”, disse o diretor global da JLL, Mike Sandridge.


INVESTIMENTO

A Lei da Multipropriedade foi sancionada no final do ano passado. Uma análise da Gazeta do Povo aponta os impactos positivos, principalmente por regularizar uma nova forma de investimento que já vinha ocorrendo e pelo potencial de movimentar cidades turísticas. Enquanto o comprador tem o benefício de investir em um imóvel sem pagar seu valor integral, as incorporadoras e imobiliárias podem vislumbrar um lucro maior. Com as vendas fracionadas, podem cobrar mais e melhor.

Um estudo do desenvolvimento de multipropriedades no Brasil em 2018 aponta que o VGV nacional de imóveis compartilhados ultrapassou R$ 16 bilhões no ano em questão. Segundo Rodrigo Mathias, supervisor jurídico da RCI Brasil, “a lei (…) possibilita, aos brasileiros, consolidar o sonho da ‘casa de veraneio’ sem custos exorbitantes”.

Em Garopaba, no litoral de SC, um resort vocacionado para surfistas terá a primeira piscina de ondas artificiais do país, graças/ ao sistema de multipropriedade. Olímpia, cidade turística no interior de São Paulo, também segue a tendência e têm dois resorts em construção que irão funcionar com imóveis para multiproprietários.

As pessoas procuram novas formas de investir no mercado imobiliário, que não se restringem à compra de imóveis. O mercado de Fundos de Investimentos Imobiliários, por exemplo, cresce a largos passos no Brasil.

De 2010 até hoje, aumentou 18 vezes. E a previsão é de que cresça ainda mais. Desde as eleições, no ano passado, os FIIs lideram as valorizações acumuladas do Ibovespa. Desmobilização de ativos, reciclagem de portfólio e melhora da educação financeira são alguns dos fatores que favorecem o crescimento. O UOL Investimentos fez um bêabá dos Fundos Imobiliários, explicando sobre tipos de investimento, vantagens e riscos.

São Paulo avalia a possibilidade de abrir FII para o metrô da cidade. Também na capital, o aumento na demanda por escritórios gerou um impacto positivo nos FIIs no mês de janeiro.

Entre os novos formatos de investimento no mercado imobiliário, uma startup cujo conceito é ser um crowdfunding imobiliário surge no Nordeste. A Bloxs seleciona projetos imobiliários e cobra uma taxa de intermediação. Para o investidor, garante uma rentabilidade melhor que a da poupança. Para o incorporador, é a garantia de mais recursos na fase pré-obra.

Nos Estados Unidos, uma empresa que comercializa casas para investimento em aluguel lançou um produto para pequenos investidores. A empresa compra a casa e depois vende participações, para que os investidores recebam uma parte do aluguel investindo pouco.


 

TRENDS

Casas sustentáveis são tendência para o futuro. Em entrevista para a IstoÉ, um especialista explicou que os painéis solares têm se tornado cada vez mais conhecidos e que todas as casas podem ter. “Certos municípios ou imóveis possuem maior radiação solar, mas todo lugar tem radiação. Para uma residência, geralmente a área do telhado já é suficiente para implantar um sistema de painel solar capaz de suprir a demanda energética da família”.

As empresas do setor imobiliário estão apostando em empreendimentos sustentáveis. O G1 citou o exemplo de uma incorporadora, em Bauru, que está adotando uma série de medidas em suas obras. Também em SP, um edifício do Minha Casa Minha Vida recebeu a certificação AQUA-HQE. No Brasil, este é o primeiro empreendimento do programa a receber o selo verde.

A câmara municipal de Nova York anunciou uma série de propostas de legislação sustentável. O Green New Deal da cidade pretende conter a mudança climática com exigências a curto e médio prazo para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Estas irão afetar os novos empreendimentos, mas também grandes edifícios icônicos – inclusive a Trump Tower. Isso pois muitos dos prédios antigos são responsáveis por dois terços da emissão de gases prejudiciais. O Real Estate Board of New York não está muito contente e já faz alianças para retardar o prazo de algumas das exigências.


CONSTRUÇÃO CIVIL

A falência da construtora Encol S/A Engenharia completou 20 anos e, neste período, a legislação passou por grandes mudanças relacionadas ao mercado imobiliário. “Surgiram muitas leis após o caso, como o instituto do patrimônio de afetação, outras se consolidaram, como a lei de alienação fiduciária. Passou-se a se constituir construções via Sociedade de Propósito Específico (SPE) que também garantem ao consumidor uma proteção maior quanto à entrega do imóvel, diferentemente do que acontecia durante a era Encol”, disse um especialista em direito imobiliário em entrevista ao jornal JEOnline.

Quem trabalhou na Encol ficou sem receber seus direitos quando a empresa faliu. Mas em março deste ano, duas décadas depois, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) decidiu, por unanimidade, o pagamento integral de todos os direitos trabalhistas para os 1.142 ex-funcionários da construtora.

A quinta maior cimenteira do mundo, a Votorantim Cimentos (VC), está investindo em tecnologia e agronegócio. Desde 2014, o setor de cimento apresenta queda, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). E para a VC isso não é nada bom, já que atualmente 75% do seu resultado financeiro vem do cimento. A empresa, que está há 83 anos no mercado, agora está investindo em soluções para a construção civil, como um aplicativo de entrega de concreto nas construções e o aumento na fabricação de calcário agrícola. “Não queremos mais ser vistos como uma empresa de construção, mas de soluções para todo o setor”, disse o presidente da VC.

Em abril, os custos da construção civil aumentaram 0,34%. Dos estados brasileiros, o Maranhão teve o maior crescimento, de 2,75%. Em seguida vem o Amapá, com 1,81%. Os dados da Sinapi mostram que o setor cresceu 4,95% nos últimos 12 meses.


VENDAS

Baixas taxas de juros e expectativas positivas para a economia resultaram em uma alta procura e venda de apartamentos de luxo em São Paulo. Um prédio da Fasano, que tem entrega prevista para 2022, vendeu mais da metade das suas unidades em menos de um mês. A corretora Anglo Americana, de imóveis de alto padrão, também evidencia que viu sua receita duplicar nos primeiros meses de 2019, totalizando o melhor ano desde 2014.

Já no mercado de imóveis descolados, a Casas Bacanas faz uma curadoria de imóveis de alto padrão que, além de alta metragem e boa localização, têm critérios como iluminação natural, terraços e reformas modernas.

O novo Plano Diretor de Belo Horizonte, que tramita na Câmara Municipal, assusta moradores e investidores. Segundo pesquisa realizada pelo arquiteto e urbanista Júlio Guerra Tôrres, os novos apartamentos da capital podem aumentar entre 30% e 40% do seu valor. Isso pois o coeficiente de construção da cidade, que hoje é 1 por 2,7, mudaria para 1 por 1, conforme a proposta. Outra consequência é que os preços dos aluguéis, calculados a partir do valor venal do imóvel, também devem subir. Esta é a realidade de outras capitais, que também estão em vista de revisar seus respectivos planos de zoneamento, como Curitiba.


PESSOAS

Quem assiste o programa ‘Irmãos à Obra’ certamente já desejou ter uma cozinha com conceito aberto. E para a felicidade de (quase) todos é possível que os irmãos Drew e Jonathan Scott, que comandam o programa, venham para o Brasil no próximo semestre.

Por ‘apenas’ R$ 139 milhões é possível ser vizinho do casal Gisele Bündchen e Tom Brady, em Nova York. O imóvel, com 464m² de área privativa, fica em um prédio de 14 andares, às margens do Rio Hudson.

Impossível esquecer o 7×1 que o Brasil levou da Alemanha na Copa de 2014. Inclusive, nos desculpe por lembrar novamente deste dia. Mas é que o jogador David Luiz está processando uma construtora que usou sua imagem, sem autorização, para fazer uma campanha publicitária. Ao lado da sua foto está o texto: “quando você contrata amadores para cuidar do sonho de sua família, é quase certeza de 7 a 1”.


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