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Tragédia do Rio revela avanço da milícia sobre o mercado imobiliário

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Era perto das 7h da última sexta (12), quando dois prédios vieram abaixo na comunidade de Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O desabamento causou a morte de 11 pessoas. Outras 4 foram resgatadas e estão internadas em hospitais próximos. Até o fechamento desta edição, havia 13 moradores desaparecidos e as equipes de busca seguem no trabalho de resgate.

A milícia controla o mercado imobiliário em Muzema e Rio das Pedras, incluindo os dois prédios que desabaram, segundo o Ministério Público do Rio. A organização criminosa invadiu o terreno – que está em uma área de proteção ambiental – e administrou a construção dos prédios, a venda e o aluguel das unidades. Até os materiais de construção estão sob domínio dos milicianos e os moradores são obrigados a comprar em lojas controladas pelos criminosos.

O chefe da milícia é o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, de acordo com o MP. Ele também é investigado por envolvimento no Escritório do Crime, grupo de matadores profissionais suspeito de executar várias pessoas no Rio, inclusive a vereadora Marielle Franco. Ronald foi preso em janeiro, na operação Os Intocáveis, que revelou como o grupo criminoso atua.

“Escuta, fala com o velho aí que o quarto andar tá fechado, daquele jeito que ele falou, que ele aprovou. Sessenta parcelas de quatro mil [reais], valor final 150 mil.”, diz um dos integrantes da milícia em conversa interceptada.

Os apartamentos eram vendidos por preços entre R$ 60 mil e R$ 200 mil. E eram facilmente encontrados na internet, em anúncios que sequer faziam questão de esconder a ausência do Registro de Imóveis. “Apartamento na planta, de dois quartos, em condomínio fechado, com total segurança, ambiente familiar. Um excelente investimento”, diz um dos anúncios.

O fortalecimento das milícias agrava o problema das ocupações irregulares na cidade, afirma em editorial o jornal O Globo: “Não é tarefa para apenas um prefeito e um governador em seus respectivos mandatos. Será necessário um programa de Estado, suprapartidário, de médio e longo prazos, pois não se trata apenas de encontrar terrenos para essa transferência. É o que foi feito na década de 60, no Rio, quando famílias foram removidas sem qualquer maior cuidado, erro repetido em projetos do Minha Casa Minha Vida”.

A verticalização nas favelas fará novas vítimas. O alerta vem do professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-secretário de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, em artigo publicado na Folha: “O desabamento dos prédios no Rio de Janeiro, uma a mais nas cotidianas tragédias brasileiras, coloca a luz do dia a necessidade do poder público não só promover programas habitacionais para a baixa renda, como retomar parcelas significativas do território urbano que está tomado pelo crime organizado e por uma exploração imobiliária selvagem e ilegal”.

O Rio tem 14.204 casas em 218 áreas de alto risco. Só este ano, as chuvas provocaram 25 mortes, 20 delas por deslizamentos e ocupação irregular. Após a tragédia de sexta, ao menos três prédios próximos serão demolidos.

CIDADES

Projetos do Minha Casa Minha Vida em SP revelam visões antagônicas da cidade. Reportagem da Folha mostra que, enquanto projetos no centro têm arquitetura assinada e uso misto, zona norte terá bairro planejado. Como exemplos, há um empreendimento construído pela incorporadora Magik JC, na Vila Buarque, que atende famílias com renda mensal de até R$ 6 mil. Os espaços, com arquitetura assinada, têm entre 25m² e 34m², sem suíte e garagem. A linha de propriedades, chamada Bem Viver, reúne em um terreno diversos produtos como espaço para moradia, comércio e horta coletiva.

Já em Pirituba, a MRV atenderá famílias com renda bruta de até R$ 7 mil. A construtora construirá uma creche e uma base da PM. Nos próximos anos, cerca de 20 mil pessoas devem habitar os mais de 7 mil apartamentos, distribuídos em 51 edifícios. Com dois quartos, 43m² e uma vaga na garagem, o valor de cada unidade será de, em média, R$ 230 mil.

Em Mogi das Cruzes, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse que usará empreendimentos do MCMV em construção na cidade como referência na reformulação do programa. O que chamou a atenção do ministro foi justamente que os imóveis agregam outros serviços, como creches municipais nas proximidades, unidades de pronto atendimento e pontos comerciais. “O que a gente quer buscar com o programa MCMV é isso, não apenas a construção da casa, mas todo o conjunto também”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Elie Horn, da Cyrela, que raramente dá entrevistas, declarou para a Época que sabe claramente seus objetivos e que sua preocupação atual é… fazer o bem. A propósito: ele está confirmado como palestrante no próximo Conecta Imobi, que acontece em setembro.

O presidente da MRV está envolvido em novos projetos. Rubens Menin se associou ao jornalista Douglas Tavolaro para lançar a versão brasileira da rede de notícias CNN. O conteúdo será produzido por equipes de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e deverá ir ao ar a partir do segundo semestre de 2019.

Meyer Nigri, dono da Tecnisa, em entrevista para o Valor, vê com entusiasmo os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro. Mas aponta que algumas áreas, como a comunicação, ainda têm ruídos. Ele também sugere que a Caixa poderia baixar os juros do crédito imobiliário para incentivar o setor e puxar a geração de empregos. Vale a leitura.

A Gafisa foi alvo de um pedido de falência feito por um fornecedor, em razão de uma dívida de R$ 300 mil. Embora não afete os clientes finais, o estrago na imagem da empresa se aprofunda. Reportagem do UOL orienta o que deve fazer quem comprou um imóvel da Gafisa na planta. Em assembleia de acionistas realizada ontem, foi aprovado o aumento de capital da companhia. O empresário Nelson Tanure, que estaria disposto a investir até 50 milhões de dólares na incorporadora, deve adiquirir ações suficientes para definir os novos rumos da Gafisa. 

Já o grupo Plaenge dribla a crise e planeja 21 lançamentos em 2019. Em entrevista à Gazeta do Povo, o diretor da construtora, Alexandre Fabian, explica: “O estilo de gestão financeira que adotamos amplia o crédito que temos com bancos e com o mercado. Estávamos certos que haveria uma retomada e nos preparamos para sermos os primeiros a aproveitar”.

ALUGUEL

A Porto Seguro divulgou resultados expressivos com aluguel. O número de novas apólices de seguro-fiança da Porto cresceu 48% no primeiro bimestre deste ano, na comparação com o ano passado.

De olho nesse movimento, a Tokio Marine lançou o Tokio Marine Aluguel. O produto substitui garantias locatícias tradicionais, como fiador e caução, e pode ser contratado tanto para imóveis residenciais quanto comerciais. A análise de crédito e o envio de documentos serão feitos online.

O Corinthians foi condenado a pagar 28 anos de aluguel atrasado para a Prefeitura de São Paulo. A sentença veio após o cancelamento de um decreto de 1991, que autorizava o clube a usar áreas públicas gratuitamente.

O clube paulista não estaria bem ranqueado no Ficha Certa. A solução faz análise de perfil de novos clientes, para averiguar o histórico e evitar fraudes em imobiliárias. Por meio de Big Data, reúne dados do Serasa e informações da Receita Federal, além de outros birôs de informações socioeconômicas.

TRENDS

Avaliada em quase 4 bilhões de dólares, a OpenDoor recebeu a maior rodada de investimento entre as startups americanas. A empresa está na lista das 50 fintechs mais inovadoras para 2019, segundo a Forbes. Quem deseja vender rapidamente um imóvel pode se cadastrar no site, preencher as informações sobre a propriedade e, em pouco tempo, receber uma proposta. Todo o processo é acompanhado por um consultor que faz uma vistoria no imóvel para averiguar as informações passadas pelo proprietário. Ao fechar o negócio, todo o pagamento é feito à vista. Para este ano, a startup espera investir 2,5 bilhões de dólares na aquisição de imóveis.

O aluguel de imóveis industriais nos EUA tem atraído investidores brasileiros. Impulsionados pelo crescimento dos e-commerce, que demandam grandes espaços para estoque e armazenamento, estes imóveis apresentam uma rentabilidade superior a 12% ao ano. E em dólar.

Em Portugal, armazéns e garagens antigas estão se tornando lofts modernos, deixando os imóveis mais amplosEsses espaços podem ser até 40% mais baratos se comparados a imóveis tradicionais. Os compradores são, em maioria, arquitetos e investidores norte-americanos e brasileiros, que reformam os ambientes investindo em ventilação, boa iluminação e segurança. Os espaços são usados não só para moradia, mas para empreendimentos como coworking e até mesmo pista de corrida.

MUNDO

O Brasil é uma opção de investimento para ampliar o mercado imobiliário russo. O UFG Wealth Management, fundo de investimentos que administra mais de R$ 12 bilhões no setor imobiliário na Rússia e na Europa, quer investir no Brasil.

Mães solo são mulheres que são as únicas ou as principais responsáveis pelos filhos. No Japão, o projeto Little Ones oferece imóveis desocupados para mães solo, por um preço mais baixo. A ação pode mudar a vida de mulheres e crianças que vivem em situação de pobreza. Lá, uma mãe solo tem renda anual equivalente a 37% da renda média das famílias no país. Por outro lado, o país tem cerca de 9 milhões de imóveis vazios.

As mulheres são responsáveis pela mudança no mercado imobiliário de Hong Kong. O que acontece é que elas estão estão optando por não se casar, ou casar mais tarde. Outra mudança, muito feliz, é que as mulheres são melhor remuneradas. Com isso, a busca por imóveis tem aumentado.

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