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Programa de habitação social de Bolsonaro prioriza aluguel e não a posse

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Convocado pelos deputados, o ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, que é responsável pelo Minha Casa Minha Vida, participou de audiência na comissão de desenvolvimento urbano da Câmara. A audiência era para esclarecer as mudanças propostas pelo governo para a habitação. Novidades foram anunciadas, mas na avaliação de empresários e entidades de classe do setor, ainda há mais perguntas do que respostas.

O governo estuda dividir o MCMV em dois novos programas habitacionais. O primeiro, para famílias de baixíssima renda, daria o direito a uma moradia em que as pessoas pagariam apenas as despesas da casa, como luz e água. A seleção de quem terá direito ao benefício seria feita pelo Ministério da Cidadania e os municípios. Tanto a construção dos empreendimentos como a administração dos condomínios ficaria a cargo do poder público.

Na categoria de baixíssima renda também haverá a possibilidade de doação de imóveis para, por exemplo, quem perdeu a casa em situação de calamidade pública. A ideia é que o programa ofereça moradia social, pelo qual a pessoa não é dona do imóvel, mas tem o direito de morar no espaço. Em ambos os casos, para ter acesso à habitação social, o beneficiário necessariamente deverá estar cadastrado em outros programas sociais, com foco em capacitação profissional, para que possa, por conta própria, acessar as faixas superiores do programa, aí sim com vistas à posse do imóvel. Por isso a entrada do Ministério da Cidadania, que coordena os programa sociais do governo, neste plano.

Famílias com baixa e média renda, ou seja, que recebem de dois a sete salários mínimos, fariam parte do outro programa, em que seria cobrado um valor mensal do morador, como um aluguel. No entanto, ao desocupar o imóvel, o dinheiro pago mensalmente retorna para a pessoa. Canuto chama a proposta de “poupança imobiliária”. “Não é aluguel, não tem remuneração de capital. A pessoa faz uma poupança que pode usar para adquirir o imóvel”, afirmou o ministro em entrevista ao G1.

Canuto informou que, em junho, R$ 600 milhões devem ser liberados para o MCMV. Nos primeiros cinco meses do ano o programa recebeu cerca de R$ 2 bilhões em repasses.

Na mesma audiência, outra proposta dos programas é permitir que profissionais de segurança pública possam fazer parte do MCMV mesmo não se encaixando nas faixas de renda do programa. O objetivo é que, assim, os condomínios tornem-se mais seguros.

Por outro lado, o programa deixaria de atender famílias com renda de até R$ 9 mil, diminuindo o limite de atendimento para famílias que recebem até sete salários mínimos, ou seja, R$ 6.896,00. Com a alteração, espera-se resolver problemas como a alta inadimplência, ocupação irregular e conflitos sociais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, propôs que a população possa sacar o FGTS. Quem não gostou da proposta foram as construtoras, que se preocupam com a falta de recursos para o MCMV. Para o Estadão, o vice-presidente do Sinduscon-SP, Ronaldo Cury, disse que “existe dúvida se vai faltar dinheiro. Então esse anúncio aumentou a insegurança do setor e gerou dúvidas para os investimentos em novos negócios. Tomara que o ministro Paulo Guedes volte atrás”.

A insegurança que atinge os gigantes também atinge pequenos empresários. Uma matéria publicada pela Revista Piauí conta a história de Adiel Damer, dono de um pequeno negócio que comercializa residências pré-moldadas de madeira. “A gente achava que ia ter mudança. Todo mundo falava que ia melhorar, que a economia ia avançar… A gente apostava bastante. Prometeram mudança. Mudou pra pior”, desabafou Damer em entrevista ao jornal.

Há cinco anos o PIB da construção civil é negativo. No primeiro trimestre de 2019, houve uma queda de 1,1% comparado ao ano passado. Os dados são do IBGE.

“Depois da eleição até março, nenhuma empresa fabricante de material de construção civil era ‘pessimista sobre as ações do governo’, segundo o Termômetro da Abramat, associação do setor. Em maio, o pessimismo era a opinião de 38% das empresas. O otimismo, que havia chegado a 56% em janeiro, nível mais alto no último ano, agora é de 8%. Bom dia, Jair Bolsonaro. Hora de acordar”. Leia na íntegra a análise de Vinicius Torres Freire, publicada na Folha de S. Paulo.

VENDAS

No primeiro trimestre deste ano, quase 25 mil ações de compra e venda de imóveis foram registradas no Brasil. O aumento é de 11,3% comparado ao mesmo período do ano passado. Os dados da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp) mostram que também houve queda na inadimplência.

Em São Paulo, o mercado de imóveis usados cresceu 20,04% em abril. A pesquisa feita pelo Crecisp, com 277 imobiliárias, apresenta um aumento de 78,65% na venda de apartamentos e 21,35% na venda de casas. A queda no preço e a ampliação dos financiamentos bancários são alguns dos motivos para estes aumentos.

Foram reduzidas as taxas de juros de financiamento para compra de imóveis. Para quem tem dívidas em atraso, a Caixa Econômica Federal também apresentou possibilidades de renegociação. O jornal Zero Hora fez um infográfico comparando a mudança.

INVESTIMENTOS

A WeWork colabora com mais de 1,2 bilhão de reais no PIB brasileiro. Esta é a soma dos PIBs nas capitais em que a companhia está presente, Rio de Janeiro e São Paulo, segundo dados lançados no primeiro Relatório Global de Impacto Econômico da empresa. O relatório também aponta que, em SP, aproximadamente 13 mil empregos estão ligados à empresa.

O Banco Central quer desenvolver o mercado de capitais. Para isso, lançou um grupo de trabalho com o objetivo específico de desenvolver este mercado e estimular a economia do país. Em entrevista para o G1, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, aponta que entre os objetivos do grupo de trabalho, alguns têm relação direta com o imobiliário: “Nossos esforços serão voltados à modernização e ampliação do ecossistema de instrumentos de private equity, do mercado imobiliário, de hedge, de mercado de derivativos, além de produtos de seguradoras, entre outros”.

Mais de 90% dos idosos que investem o fazem na poupança. O comportamento conservador foi observado no levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que é explicado por razões culturais. Os maiores de 60 anos vivenciaram algumas crises econômicas, o que os deixa mais temerosos de perder seu patrimônio.

ALUGUEL

O IGP-M, que regula a inflação do aluguel, desacelerou a 0,45% no último mês, totalizando 7,64% em 12 meses.

Em meio à crise dos imóveis comerciais, locação reversível é lançada em Porto Alegre. Os interessados em imóveis comerciais pré-existentes da Melnick Even poderão alugar um imóvel e, caso se interessem pela compra do mesmo durante o contrato, podem transformar seus pagamentos de aluguel em entrada para compra. A prática pode ser interessante por garantir a fidelidade dos clientes, mas compromete o financiamento do imóvel a juros baixos de imóvel novo, uma vez que ele já terá sido ocupado.

Do Rio de Janeiro, parte um projeto de lei, em tramitação no Senado Federal, que propõe que a locação de imóveis residenciais por aplicativos e plataformas como o Airbnb deva ser autorizada pelos condomínios, em assembleia. A proposta ainda atribui ao proprietário a responsabilidade sobre possíveis danos no condomínio causados pelo aluguel.

O QuintoAndar está com uma campanha de angariação ,que irá antecipar 6 meses de aluguel para os novos usuários exclusivos da plataforma. A startup promete depositar o valor em até 7 dias depois que o imóvel é analisado, além de não cobrar taxas pela antecipação e descontar o valor parcelado nos repasses futuros.

TRENDS

A startup RuaDois promete transformar qualquer imobiliária de locação em 100% digital em até 3 semanas. Atendendo no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, a demanda foi notada pelo CEO Paulo Fernandes, quando conduziu a transformação digital da Beiramar, tradicional imobiliária da Capital Federal. Todos os serviços são digitalizados pela startup, como negociação, aprovação de crédito e assinatura do contrato, basta a imobiliária disponibilizar sua carteira de imóveis na plataforma.

Um em cada quatro brasileiros entre 25 e 34 anos não havia saído da casa dos pais, segundo o último censo do IBGE de 2015. A “geração canguru” continua morando com a família por vários motivos: os casamentos estão acontecendo mais tarde; a relação com os pais melhora ao longo da vida adulta; há novas prioridades de gastos para estes jovens; e, também, há dificuldade de alcançar a independência financeira.

A Amazon colocou à venda tiny houses que podem ser montadas por apenas duas pessoas – e elas se esgotaram rapidamente. Por um pouco mais de 7 mil dólares, uma cabine-estúdio é vendida como opção para visitantes, que pode ser adquirida como casa principal. Mas as avaliações negativas já começam a aparecer e usuários e especialistas apontam que a baixa qualidade dos materiais faz com que ela seja mais cara do que seu custo real e que não é apropriada para pessoas morarem. Os problemas incluem ausência de sistemas de saneamento e de eletricidade, o que podem aumentar seu valor final em cerca de 5 mil dólares para se tornarem razoavelmente habitáveis.

CIDADES

O prédio da antiga sede da MTV, a estação Santo Amaro e a Assembleia Legislativa de São Paulo são alguns dos 32 imóveis tombados pela prefeitura da capital. A decisão procura preservar a história da arquitetura moderna brasileira, marcada por arquitetos como Lina Bo Bardi (responsável pelo MASP) e Franz Heep (que projetou o Edifício Itália).

Limpeza, lavanderia, alimentação à disposição, basta um telefonema. Estes são alguns dos serviços oferecidos pelos apart-hotéis ou flats, que vêm ganhando popularidade na classe executiva e entre pessoas que colocam a comodidade em primeiro lugar. A modalidade também aparece como possibilidade de investimento, com pessoas adquirindo unidades para lucrarem com o aluguel.

Nesta quarta (12), faz dois meses da queda de dois prédios na comunidade da Muzema, no Rio de Janeiro. E a população ainda espera uma resposta do governador Wilson Witzel, que ainda não apresentou planos efetivos para combate às milícias, responsáveis pelo projeto. No fim de maio, O Globo denunciou mais um esquema, na qual a milícia criou uma espécie de bairro: os moradores devem pagar uma taxa e, os que estiverem com os pagamentos em dia, recebem um adesivo para garantir sua segurança.

MUNDO

Um euro por ano e três orações por dia: este é o custo de aluguel dos moradores de Fuggerei, uma comunidade alemã. Criada em 1521 por um banqueiro da época, mantém o mesmo valor do aluguel de quando foi fundada, que era de um florim. Hoje, a comunidade se mantém com fundo fiduciário e com turismo.

Economistas de banco alemão preocupam-se com uma nova bolha imobiliária europeiaUma nota, lançada antes da reunião do conselho do Banco Central Europeu, alertou sobre a política monetária expansionista somada ao aumento dos valores de imóveis na UE. A reunião aconteceu e o BCE manteve as taxas de juros estáveis e anunciou uma nova série de empréstimos aos bancos.

Em Portugal, uma startup cobra taxa fixa de 1.999 euros para gerenciar a venda de imóveis. A plataforma Kazzify oferece serviços como fotografias profissionais do imóvel, agendamento de visitas, divulgação em vários sites e o valor é pago caso a venda aconteça. Além disso, o proprietário e o interessado podem negociar diretamente na plataforma.

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