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Portais imobiliários testam nova relação com corretores e imobiliárias

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A relação dos portais com corretores e imobiliárias está se reinventando. Espremidos entre imobiliárias que cobram leads mais qualificados e acionistas que pedem melhor rentabilidade, os grandes portais dos Estados Unidos têm testado novas formas de se inserir na jornada de compra do usuário, com mais relevância e interação direta com quem procura imóveis para comprar.

O portal de imóveis americano Realtor.com tem deixado os corretores locais em alerta. Isso depois que o grupo ao qual pertence adquiriu o Opcity. Esta é uma empresa que atrai leads, faz contato com o cliente, filtra e entrega leads qualificados para corretores e imobiliárias. E a Realtor.com dá sinais de que irá substituir seu serviço de geração de leads pelo modelo da Opcity. Cobrando por isso, claro. Esta é a grande preocupação: corretores poderão ter que pagar mais por menos leads, supostamente melhor qualificados.

Já o portal StreetEasy envolveu-se em várias polêmicas desde que passou a ser gerido pela Zillow Group. A última? Cobrar para que os corretores tenham páginas próprias livres de outros anúncios, do contrário, outros profissionais podem anunciar nas mesmas, também pagando por isso. Sim, se o corretor não pagar, seu concorrente pode fazer um anúncio dentro do seu perfil comercial.

No Brasil, a troca de papéis também ocorre. A Casa Mineira, por exemplo, está deixando de ser apenas uma imobiliária e passando a ser um marketplace que deve oferecer sua plataforma tecnológica para imobiliárias parceiras, presentes em outras cidades fora de BH, e cobrar pela entrega de leads ou sobre vendas concretizadas, como já fazem alguns dos grandes portais estrangeiros. Por enquanto, a Casa Mineira não irá qualificar leads antes de entregá-las aos parceiros.

Por falar em Casa Mineira, já trouxemos aqui a notícia de que a imobiliária de Minas uniu-se ao QuintoAndar, na primeira grande parceria entre uma imobiliária tradicional e a startup. Kênio de Souza Pereira, presidente da comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG analisou em artigo o que entende deste movimento. “A imobiliária virtual que se diz inovadora por não ter nem sede física para atender os clientes, pois para ela em uma locação nunca ocorre problema, parece que caiu na real. Sem ter profissionais contratados para atender, percebeu ser difícil manter o locador como cliente. O modelo não funcionou em Belo Horizonte, visto que os proprietários de imóveis não aceitam ser atendidos por robôs que respondem suas reclamações com frases pré-programadas, como se constata no site Reclame Aqui.”

E quando o robô falhar? “Detectar a falha de um profissional e fazê-lo responder judicialmente já é um processo complexo, imagina o quão difícil será punir um robô”, questiona-se a advogada Daniele Akamine, especialista em Economia da Construção Civil e mercado imobiliário.

O pano de fundo de toda essa discussão é a pergunta de sempre: qual o futuro das imobiliárias? Artigo publicado na Forbes traz uma análise sobre como o mercado imobiliário não funciona como outros setores da economia e, por vezes, é “mais arte do que ciência”. Shaun Osher, sócio-fundador da CORE, analisa que a posse de uma casa tem inúmeras implicações financeiras, pessoais e emocionais. Por isso, o papel humano continua sendo essencial. “O papel do verdadeiro corretor de imóveis é ajudar os compradores a navegar neste processo incrivelmente complicado (…) Encontrar uma casa é normalmente muito mais do que números – é sobre relações e não há tecnologias que possam competir com isso quando há tantos riscos pessoais e emocionais envolvidos”, comenta.

PESSOAS

Uma youtuber brasileira tem se destacado com um canal sobre construção. Paloma Cipriano, de 25 anos, ensina desde a trocar torneiras, construir pilares de concreto e erguer paredes. No vídeo de maior sucesso da jovem, com 7,5 milhões de visualizações, ela ensina como rebocar uma parede. Com mais de meio milhão de seguidores no canal, o maior desafio de Paloma é superar os comentários machistas. “Antigamente, ficava chateada com as pessoas comentando que não era eu quem fazia as coisas, que era algum homem”, disse em entrevista à BBC.

Em Curitiba, mulheres pedreiras reformam casas e compartilham o trabalho nas redes sociais. Em vídeos curtos, as mulheres usam o Instagram para dar dicas e mostrar o trabalho que realizam. O Casa Reforma Concreta realiza reparos e pequenas obras civis.

Um grupo de mulheres ensina outras mulheres a construírem suas casas em Belo Horizonte. O projeto Arquitetura na Periferia, criado por arquitetas, engenheiras e ativistas, opera em comunidades pobres de BH. Não só ajuda que famílias tenham um lar seguro, como também educa as participantes sobre arquitetura, construção e cálculo, enquanto colabora para o empoderamento destas mulheres.

No Rio Grande do Norte, uma jovem transforma casas gratuitamente. A ideia de ajudar outras famílias veio após realizar um sonho: morar em uma casa sem goteiras, que não molhasse os móveis e cômodos da residência. Em 2018, Fernanda Silmara Silva dos Santos, estudante de Engenharia Civil, criou o projeto ReforAmar, que começou com cinco voluntários e hoje conta com 70. Em menos de um ano, o grupo já reformou cinco casas e um asilo. A ideia é atender pessoas de baixa renda, outros asilos e, no futuro, abrigos para crianças.

A intenção era ajudar as filhas a morar sozinhas, mas um grande negócio surgiu a partir daí. Daniela Pereira ficou preocupada ao perceber que suas filhas não sabiam cuidar sozinhas de uma casa. Então, criou o blog Apezinho, no qual dá dicas sobre segurança, finanças, culinária e organização. Com o tempo, muitos jovens passaram a acessar o site em busca de um lugar para morar ou de companhia para dividir um espaço. Com o apoio das filhas e um aporte financeiro que veio de uma parceria, Daniela criou o Appzinho, um site de aluguel voltado para jovens, que opera no Rio de Janeiro e Niterói.

As mulheres estão conquistando espaço em todos os lugares. A corretora brasileira Luciane Serifovic, especialista em imóveis de luxo, lançou uma solução, baseada em tecnologia blockchain, para atender clientes de esportes e entretenimento de alta renda em Nova York. Segundo Luciane, a Luxian International Realty é a única empresa de propriedade feminina desse tipo.

VENDAS

O estoque de imóveis à venda, que já está nas alturas, pode aumentar ainda mais. O Governo Federal pretende vender diversos imóveis públicos, numa expectativa de arrecadação de até R$ 1 trilhão. Quem está com dificuldades para vender seu imóvel, deve continuar com obstáculos. A medida impactará inclusive o mercado de alto padrão, pois a ideia é vender todas as casas de ministros no Largo Sul, em Brasília.

Outro estoque que preocupa é o de imóveis retomados pelos bancos. Em dois anos, cresceu em 78% o número de imóveis confiscados como garantia de empréstimos inadimplentes. Em 2018, dos R$ 18,7 bilhões arrecadados pelas instituições financeiras, 90% veio de operações do mercado imobiliário. De um lado, pessoas estão ficando sem moradias próprias – a maior parte dos imóveis retomados são os econômicos, provenientes do Minha Casa Minha Vida – de outro, com a economia lenta, está difícil encontrar compradores.

Em fevereiro, cresceu em 50% a venda de imóveis residenciais em São Paulo. Imóveis com dois quartos foram os com maior número de vendas e ofertas e o preço pago pelos espaços foi de até R$ 240 mil.

A Câmara dos Deputados decidiu prorrogar os incentivos tributários para construtoras do MCMV, que haviam vencido no final de 2018. O projeto oferece segurança jurídica para essas construtoras, num momento de incerteza sobre o futuro do programa. A proposta foi para o Senado.

Já o Ministério do Desenvolvimento Regional informou que o MCMV receberá R$ 1,6 bilhão até junho. A notícia não animou muito as construtoras, que alegam que o recurso não é suficiente para novos lançamentos. Para sobreviver, imobiliárias especializadas em MCMV estão focando na venda de terrenos, mas o temor dos construtores é grande.

Publicamente, líderes de grandes construtoras e incorporadoras têm adotado um tom positivo em relação às perspectivas econômicas para o país, no que tange à construção civil. No entanto, a insatisfação começa a aparecer de forma anônima. Em reportagem para a Folha, empresário que não quis se identificar declara que o cenário está “dramático e beirando a irresponsabilidade”. Outro, que também preferiu o anonimato, classifica a situação como caótica.

Antonio Setin, da incorporadora que recentemente anunciou projeto de entrada no Minha Casa Minha Vida, é exceção. Para ele, o otimismo do setor privado com o Governo Bolsonaro tem data de validade.

AGENDA

Otimistas sim, mas com cautela. “A frase poderia definir a sensação dos empresários do setor imobiliário hoje. Em um momento em que os economistas têm revisado para baixo as previsões de crescimento do País para este ano e que o mercado financeiro ainda observa os desdobramentos da tentativa de aprovação da reforma da Previdência — considerada crucial para a volta da confiança e do investimento — o setor de imóveis espera um 2019 melhor do que o ano passado, enquanto tenta se reinventar”. Este é o início de uma análise, publicada pelo Estadão, sobre o Summit Imobiliário Brasil 2019, realizado na semana passada.

No dia 16 de maio, no Centro de Convenções SPCT, em São Paulo, ocorrerá o Smartus Proptech Summit. O evento abordará temas como cidades inteligentes, realidade virtual e aumentada, internet das coisas, inteligência artificial, criptomoedas, impressão 3D e pré-fabricados no mercado imobiliário. As inscrições ainda estão abertas.

ALUGUEL

Os preços de aluguéis anunciados subiram mais que a inflação no primeiro trimestre do ano, segundo o Fipezap. O valor médio do aluguel cresceu 1,68%, enquanto a inflação no período foi de 1,51%. As maiores altas nas capitais foram em Brasília, Florianópolis e São Paulo.

A Rappi agora irá realizar “delivery de imóveis”. O aplicativo de entrega de vários produtos e serviços anunciou uma parceria com a Housi, da Vitacon. “Vamos mudar completamente a forma como as pessoas consomem imóveis. Acreditamos que comprar um apartamento de forma burocrática vai ser substituído pelo uso simples e digital. As facilidades proporcionadas pela Rappi estão totalmente em linha com o que acreditamos. Oferecer mais tempo e praticidade,” destaca o CEO Alexandre Frankel.

A plataforma digital de aluguel Aluga On chega ao mercado trabalhando exclusivamente com imóveis da Helbor. O contato pode ser feito por WhatsApp, diretamente com as corretoras. É mais um incorporador a olhar e mover esforços no sentido da locação.

CONSTRUÇÃO CIVIL

A revolução industrial 4.0 afeta várias áreas da economia, inclusive a construção civil. Mas o setor é conhecido por não investir em inovação. Dados da consultoria McKinsey apontam que a baixa produtividade ligada à falta de tecnologia na construção civil custam, globalmente, 1,6 trilhão de dólares.

Estes números mostram como a inovação é importante para manter uma empresa atualizada e competitiva. Construtech é o nome dado às startups que atuam especialmente neste mercado – e elas estão crescendo. Tecnologias como monitoramento virtual de ambientes, drones com análise de dadosinternet das coisas para prever problemas de manutenção, impressão 3D, realidade aumentada são só alguns exemplos de como as inovações podem acelerar e facilitar processos, inclusive em pequenas empresas.

As novidades vêm de diversas formas. No Rio de Janeiro, empresários desenvolveram um “tijolo do Século XXI”. Feito com espuma cerâmica, é leve e um único pode substituir 80 tijolos de seis furos, economizando em média duas horas de mão de obra de um pedreiro. Já o Instituto Federal de Educação do Maranhão divulgou que até o açaí pode ser usado como alternativa ao tijolo. E um arquiteto belga usou o bambu no lugar de aço e concreto em construções comunitárias em Camburi, São Paulo.

Uma empresa oferece produtos sustentáveis e esteticamente agradáveis, derivados de garrafa PET, como soluções termoacústicas. E não, eles não lembram aquelas hortas artesanais feitas no colégio.

MUNDO

Há algumas edições, mostramos como a escalada dos aluguéis em Berlim tem provocado revolta entre os moradores. No início do mês, mais de 40 mil pessoas se reuniram para protestar contra o aumento nos valores. Mais que dobrou em dez anos.

O protesto se espalha pela Europa. Em Barcelona, uma manifestação parecida já aconteceu, levando às ruas mais de 10 mil pessoas protestando sobre a “bolha de aluguéis”.

Esse movimento chama a atenção da ONU. Especialisas em Direitos Humanos condenaram práticas de empresas de private equity e investimentos, em comunicado divulgado há um mês. Há exemplos de inquilinos que tiveram aluguéis aumentados em até 50% quando seus prédios são adquiridos por empresas de private equity, o que faz com que muitas destas pessoas tenham que deixar seus imóveis por não conseguirem arcar com os valores. Os especialistas também escreveram a governos na Europa e na América do Sul, apontando práticas para proteger inquilinos de baixa renda.

No interior da Espanha, vilarejos inteiros são vendidos por menos de 100 mil dólares. A busca por moradias mais centrais gerou um êxodo para as capitais, deixando cerca de 1500 vilarejos em situação de abandono. Como, por lei, os proprietários são obrigados a cuidar dos imóveis e muitos acabam abandonados, estes são colocados à venda. Uma única corretora vendeu cerca de 40 destes vilarejos, só no ano passado, e quase todas as transações foram feitas para estrangeiros.

Na Itália, uma situação parecida acontece e casas podem ser adquiridas por menos de R$ 5. Sim, Ollolai, na ilha de Sardenha, oferece casas por um euro. Mas compradores devem comprometer-se a restaurar as propriedades em até três anos, o que custaria cerca de R$ 95 mil, além de taxas e documentações.

Não podíamos fechar esta edição sem falar da tragédia de Notre-Dame. O fogo consumiu parte de uma das igrejas mais tradicionais do mundo. Felizmente, mais de 2 bilhões de reais em doações já foram recebidos. Muitas dessas doações foram feitas por grandes empresas francesas. Inevitável a comparação com o Museu Nacional do Brasil, que também sofreu com um incêndio, em setembro, e no entanto passa longe do radar das empresas brasileiras. A Associação Amigos do Museu Nacional oferece várias formas de contribuir com a recuperação deste patrimônio brasileiro.

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