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Minha Casa Minha Vida só depois da Reforma da Previdência

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Não há mais o que fazer a não ser esperar e torcer. A constatação vem de empresários de construtoras do Minha Casa Minha Vida. Na última quarta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, afirmou que os recursos para o programa previstos pelo Governo Federal neste ano acabam em junho. “Agora é esperar a Previdência para negociar depois”, disse na sequência o presidente da Cbic, José Carlos Martins.

“Quer trabalhar com MCMV? Então é preciso entender que ele faz parte do orçamento do governo, de um banco estatal, e que às vezes há percalços. Por exemplo, todo ano em outubro e novembro há contingenciamento. O empresário está preocupado, mas não parou ainda”, comenta Luciano Amaral, diretor-geral da incorporadora Benx, do grupo Bueno Netto.

Na outra ponta do programa, a Caixa sobe a régua na concessão do crédito. O banco vai passar a analisar não apenas a capacidade de pagamento do financiamento pelo mutuário, mas de todos os custos mensais com a moradia, como condomínio, consumo de água e de luz. Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a análise de risco falha é o que explica a inadimplência do programa.

O déficit da Caixa com o MCMV alcançou R$ 2,8 bilhões no último trimestre de 2018. Foram mais de 80 mil obras suspensas e 70 mil imóveis devolvidos por falta de pagamento.

Outra linha de ação para atacar esse problema é o Cadastro Positivo, que foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no início do mês. A expectativa é reduzir em 45% a inadimplência no país, o que deve estimular a oferta de crédito mais barato aos bons pagadores. O governo também vislumbra efeitos do Cadastro Positivo na locação de imóveis. “Os excelentes pagadores não vão mais precisar, provavelmente, de fiador ou de outras garantias. É seu próprio histórico de crédito que vai garanti-lo”, aposta Carlos Costa, secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia.

Com a economia ainda lenta, o Ministério da Economia pretende lançar um pacote com 55 medidas de simplificação, com o objetivo de desburocratizar o ambiente de negócios. Entre as mudanças propostas, duas impactam a construção civil: o governo pretende unificar as normas de construção civil entre as prefeituras e deve passar a exigir que as empresas que participam de licitações públicas façam a adesão do manual de boas práticas BIM.

O tema pautou debate no Ministério da Economia. Representantes do setor e do governo afirmam que o uso do BIM (Building Information Modelling, em português, Modelagem da Informação da Construção) pode reduzir os aditivos contratuais e a prorrogação do prazo de conclusão de obras. A intenção é que, até 2028, o custo na construção civil diminua 9,7% e a produtividade cresça 10%.

VENDAS

Três imóveis foram vendidos em um leilão online, durante o Summit Imobiliário. As operações aconteceram por meio da Moving Leilões, plataforma que foi lançada no evento. Dos oito imóveis residenciais colocados em disputa, três foram arrematados. O leilão faz parte da estratégia da Moving, que passa a agregar ofertas de imóveis retomados em seu aplicativo.  

Já o Santander está leiloando cerca de 500 imóveis com valores abaixo do mercado. São residências, espaços comerciais e até rurais, localizados no Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Maranhão. Além de oferecer um valor mais baixo e facilidade no pagamento, quem comprar um imóvel residencial à vista terá um desconto de 10%.

A UPS colocou à venda 12 imóveis entre casas, apartamentos, espaços comerciais e terrenos. Os imóveis estão localizados em Sorocaba e Ribeirão Preto, em SP, e é possível fazer propostas de compra até o dia 14 de maio. O valor arrecadado na venda será alocado no orçamento da universidade.

Caiu em 3,49% o preço médio de venda de imóveis comerciais no último ano. Os dados são do Índice FipeZap, que também mostrou uma queda de 1,56% no preço de aluguéis novos. A única cidade a registrar alta no preço de venda foi Campinas, com 1,28%. Já a locação subiu 5,87% em Salvador; 4,07% em Curitiba e 0,97% em Porto Alegre.

ALUGUEL

Uma plataforma desenvolvida em Cuiabá oferece aluguel consignado para servidores públicos. A startup Toc Toc oferece ao corretor de imóvel cadastrado autonomia para executar o serviço, já que a empresa não negocia com o cliente final. São três aplicativos diferentes: para os interessados em comprar ou alugar um imóvel; para os proprietários e um para corretores.

O Ops! Aluguei é a resposta da Apolar, tradicional imobiliária de Curitiba, para o movimento de digitalização dos serviços de locação. O site, lançado no último dia 23, permite aos usuários pesquisar imóveis, agendar visita, reservar, enviar documentos, aprovar o crédito e assinar o contrato de locação. Diferentemente de outras imobiliárias, que optaram por inovar o negócio principal, a Apolar adotou a estratégia do spin-off, criando uma nova marca, à parte da operação clássica. Também na contramão de novos players, o Ops! Aluguei preserva as formas tradicionais de garantia locatícia, mas oferece ao cliente o poder de escolha, lastreado por um score de análise de risco.

TRENDS

Uma startup imobiliária foi destaque no Ahead, programa de aceleração da Startup Farm em parceria com o Banco do BrasilA Reex é uma plataforma que se propõe a descomplicar o processo de dação, agilizando compra, venda e troca de imóveis em até 90 dias. Ela foi uma das startups pré-selecionadas para receber mentoria e aporte financeiro do Ahead, em edital lançado no ano passado. No início do mês, as seis finalistas foram apresentadas e a Reex ficou em segundo lugar no programa.

A WeWork terá uma nova unidade em São Paulo. O edifício escolhido para abrigar os escritórios compartilhados da rede global de coworkings é nada menos que o Oscar Freire 585, projeto icônico da Vitacon. A WeWork negociou a administração exclusiva dos espaços por um período de 15 anos. O Oscar Freire 585 terá 439 estações de trabalho, distribuídas em seis andares, além da primeira flagship da Vitacon, que vai funcionar no rooftop do edifício.

Utilizando Inteligência Artificial, a startup Docket lançou o R.E.A (Real Estate Analysis). A solução foi concebida para pré-analisar matrículas de imóvel em menos de um minuto. Hoje, o R.E.A. identifica se a hipoteca e a alienação fiduciária estão ativas ou canceladas.

Já o portal americano Realogy utilizou IA para criar um robô que funciona como assistente e ferramenta de anúncios de mídia social para corretores. O produto tem parceria com a plataforma Alexa, da Amazon, e com o Facebook, para seus respectivos serviços.

Também com IA, a startup Growth Tech desenvolveu uma solução que pretende acelerar o trabalho dos cartórios sem abrir mão da segurança. Chamado de Notary Ledgers, cria uma identidade virtual de cada usuário, que pode escolher que tipo de operação irá realizar e em qual cartório. Então, a plataforma automatiza a montagem do documento e envia para o cartório responsável, que deve assiná-lo digitalmente. Dez cartórios já aderiram ao projeto e outros quinze estão em processo de adesão.

CIDADES

Um projeto habitacional proposto em Araraquara está dando o que falar. A prefeitura da cidade pretende doar R$ 16 milhões em lotes públicos para as 2,6 mil pessoas cadastradas na fila para moradia. O que muita gente está criticando é que essas famílias não terão condições de construir um imóvel no terreno, o que pode gerar não só abandono dos espaços, como “favelizar” a região.

Recentemente, o aplicativo Waze começou a fazer aviso de alerta de risco no app. Antes de entrar em algum novo trajeto, o motorista recebia em seu celular um aviso de que a região poderia ser perigosa. A atitude gerou revolta e constrangimento de moradores, que alegaram que isso prejudica quem mora nos locais. O problema também afeta quem tem imóveis para venda ou locação nesses lugares. Afinal, quem vai querer morar em um local rotulado como “área de risco”? Após as críticas, a empresa suspendeu o serviço.

Uma campanha publicitária cresceu em proporções que a imobiliária não esperava. Localizada em Torres (RS), a Infinity Imobiliária Digital lançou uma campanha que procurava valorizar o turismo local por meio de vídeos nas redes sociais. A cidade se engajou tanto que culminou na transformação da própria imobiliária, com o lançamento de um espaço para promoção da cultura local, o Parador Descubra Torres.

CONSTRUÇÃO CIVIL

A Nortis vai lançar dois empreendimentos em São Paulo, nos próximos meses, frutos de investimentos que devem somar R$ 260 milhões. Os projetos serão construídos nos bairros Jardins e Pinheiros.

De 2013 até ano passado, foram quase 3 milhões de trabalhos encerrados na construção civil, segundo dados da Fiesp. A mesma pesquisa mostra que, desde 2007, houve um aumento de 72,6% no número de trabalhadores autônomos. “Trabalham em reformas, na manutenção de imóveis e na construção por autogestão. Esses mercados sofreram relativamente menos com a crise porque dependem menos de crédito e não são diretamente contratados pelos governos”.

AGENDA

Entre os dias 24 e 26 de maio ocorrerá em São Paulo o Startup Weekend Construtech. Serão 54 horas para inovar, empreender e, quem sabe, sair do evento com uma startup criada.

No dia 16 de maio acontece o Smartus Proptech Summit. A CUPOLA, responsável pelo ImobiReport, estará presente para trazer uma cobertura especial do evento aqui na nossa news.

MUNDO

Uma pesquisa da Deloitte com mais de 500 investidores de imóveis comerciais procurou analisar qual o cenário do setor e as expectativas dos players. Os números mostram que os investidores estão diversificando seus portfólios entre grandes investimentos, novos e emergentes modelos de negócios e investimentos temáticos. A pesquisa também levantou cinco temas que têm recebido atenção destes investidores: fluxo de investimento global, gerenciamento de riscos cibernéticos, avanços tecnológicos, gestão de talentos e as proptechs.

No ranking de bilionários do mercado imobiliário, são os asiáticos que estão na liderança. Segundo lista da Forbes, os cinco mais ricos do setor imobiliário vêm da China ou de Hong Kong.

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