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Imóveis flexíveis e conectados: as novas formas de morar

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A capa da Revista Época da última semana anuncia: cidades inteligentes. A reportagem descreve como a cidade do futuro já é do presente, com a digitalização de diversos serviços e a internet das coisas. Também conta os planos do Google para Quayside, cidade canadense que deverá ser toda construída a partir da internet. Nela, baseada na sustentabilidade, os espaços públicos deverão ser inteligentes: toldos podem se adaptar às mudanças climáticas, por exemplo. Os imóveis são planejados para serem flexíveis, construídos de forma que possam facilmente transformar suas funções – de um apartamento, para um restaurante, para um coworking.

Enquanto Quayside não está pronta, robôs na construção civil já são uma realidade. Segundo a consultoria McKinsey para a BBC, a tecnologia pode reduzir o custo de projetos de construção entre 20% e 40%. A automatização pode apoiar o novo uso de materiais como aço e madeira, a preparação de terrenos e até mesmo os imóveis pré-fabricados que, aos poucos, vão deixando de ser conhecidos por sua baixa qualidade.

Para saber mais sobre o tema, vale conferir este episódio do programa Mundo S/A, especial sobre o mercado das casas conectadas. Outra dica é a série sobre as novas formas de morar, em dois episódios, no programa Cidades e Soluções. A primeira parte fala sobre coliving e cohousing e mostra exemplos de pessoas que optaram por essas formas de viver. Já a segunda parte trata das minicasas, com exemplos de casas-contêiner, Tiny Houses e até um “barco-casa”, no Brasil e no exterior. Os dois programas são exibidos pela Globo News.

Na Noruega, uma startup facilita o desenvolvimento de projetos arquitetônicos com inteligência artificial. O software analisa informações importantes, como as leis de urbanização local, iluminação e tráfego para rapidamente sugerir opções de design.

A IKEA lançou um projeto de habitação “do it yourself” (ou faça você mesmo, em tradução livre). O projeto propõe a criação de uma comunidade conectada, a The Urban Village, com instalações compartilhadas e aplicativo para gerenciar funções diversas. Ainda sem data para lançamento, a proposta para os imóveis é que, de forma modular, o usuário possa projetar sua própria casa de acordo com suas necessidades.

A marca é bem atenta a tendências e cultura pop. Em uma de suas últimas campanhas publicitárias, recriou três salas famosas da televisão: a sala das séries Os Simpsons, Friends e Stranger Things.

VENDAS

O Itaú lançará um site para venda de imóveis. A previsão é que a plataforma esteja no ar já no segundo semestre de 2019. Além dos imóveis que foram retomados em garantia, o site também oferecerá linhas de crédito do Itaú.

Com um investimento de R$ 20 milhões, a startup Reex começou a operar no mercado de compra e venda de imóveis usados, em parceria com o Santander. “A compra pela Reex de imóveis usados será atrelada à aquisição, por parte do vendedor, de unidade comercializada pela instituição financeira por meio de um leilão ou de uma imobiliária”, explicou a repórter Chiara Quintão, no jornal Valor Econômico.

Outro parceiro do Santander divulgado na última semana é o Grupo ZAP. A ideia é facilitar a vida de quem busca comprar um imóvel. Para isso, o interessado procurará sua moradia nas plataformas Viva Real e ZAP. Depois, a análise de crédito será feita no site do Santander, onde também será possível simular financiamento e solicitar análise e emissão de crédito.

Agora, corretores de imóveis estão incluídos na cobertura de seguros de Responsabilidade Civil da Porto Seguros. O Seguro RC oferece proteção de reparação e outros problemas causados a terceiros durante a atividade profissional. Além do corretor, outras 25 profissões foram incluídas, como advogados e engenheiros.

ALUGUEL

O seguro-fiança ganhou novas regras. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) estipulou, entre outras coisas, que todos os contratos de seguros devem cobrir a inadimplência de aluguel. O contratante também poderá personalizar o seu pacote, optando pela cobertura de pagamentos como IPTU, condomínio e danos ao imóvel. Para evitar a venda casada, agora o corretor do seguro não pode ter vínculo com a imobiliária.

Ao alugar um imóvel, 50% dos cariocas preferem utilizar depósito ou cheque caução. Já quando o assunto é compra de imóveis, 30% preferem dar entrada através do financiamento bancário; 22% utiliza o FGTS e 21% realiza o pagamento à vista. Os dados são do ZAP.

Em Curitiba, há quatro vezes mais imóveis à venda do que ofertados para locação, realidade similar a de boa parte do país. E há imobiliárias aproveitando o cenário para angariar imóveis de locação. Segundo Fernando Prates, diretor executivo da imobiliária Prates, para o portal Banda B: “O excesso de ofertas de residências à venda faz com que o preço das unidades seja menor, causando uma desvalorização. E com o baixo estoque de imóveis para locação, além da crise econômica, muitos brasileiros estão segurando investimentos altos, como a compra de uma casa”.

Sites de aluguel de imóveis como o Airbnb podem ser responsáveis e responder judicialmente em caso de incidentes com locatários. O debate surgiu após uma família de SC ter morrido no Chile, por intoxicação de gás, caso que trouxemos em uma edição passada. Em entrevista para o jornal O Globo, o professor de Direito do Consumidor Ricardo Morishita disse que “essas plataformas estão prestando um serviço e o Código é claro que deve ser garantida a segurança e saúde do consumidor. O consumidor é vulnerável, ao entrar num apartamento não tem como verificar se há segurança no sistema elétrico, de gás, risco de vazamentos”.

PESSOAS

O movimento Me Too começou no cinema, com várias denúncias de mulheres à conduta de Harvey Weinstein, em 2017. Mas levantou um profundo debate e saiu de Hollywood para tratar assédio no ambiente de trabalho em geral. O The Real Deal entrevistou mais de 50 corretores de Nova York para debater como o movimento afetou o mercado imobiliário.

Há um consenso: as imobiliárias e os profissionais estão mais cautelosos. A cidade de Nova York, especificamente, exige que as companhias treinem seus colaboradores e terceirizados. Algumas empresas afirmam que mudaram suas políticas e/ou aumentaram seus seguros, evitando processos e preparando-se financeiramente caso aconteçam. Na mesma reportagem, é apresentada uma pesquisa de 2018, realizada pela FTI Consulting, em Washington, que aponta: 49% dos consumidores são menos propensos a comprar produtos ou serviços de uma empresa que esteja respondendo a uma alegação de assédio.

No Brasil, em Curitiba, a MRV promoveu uma série de palestras sobre o assunto para pedreiros de suas obras. Violência contra a mulher, assédio, machismo e feminicídio foram alguns dos temas tratados nos eventos, organizados com apoio de advogadas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Wilson César Rascovit, viu semelhanças entre a proposta do governo em reformular o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), oferecido anos atrás. “O mutuário pagava durante um tempo uma prestação para a Caixa Econômica Federal e ao final desse contrato poderia optar por adquirir o imóvel por um valor, ou não manter mais o contrato. Ao que tudo indica, a ideia do atual governo se assemelha bem ao PAR, porém sem a opção de compra ao final do tempo contratual estipulado pelas partes”.

O “novo MCMV” pode ser visto de duas formas, segundo Rascovit: antissocial, já que pessoas de baixa renda não conseguiriam adquirir a casa própria; e assistencial, pois o interessado em ter direito a um imóvel deveria participar das ações sociais do governo. “Os beneficiários terão de frequentar ações sociais do próprio governo e com isso obter um financiamento habitacional com o seu próprio trabalho”, afirmou.

Ainda sobre o MCMV: o Congresso aprovou a liberação de um crédito suplementar de mais de R$ 240 bilhões ao orçamento da União. Destes, um bilhão está previsto para o projeto habitacional.

O presidente da MRV, Eduardo Fisher, acredita que as reformas propostas pelo governo tornarão o Brasil um país mais competitivo. “Isso de longe é a principal característica positiva do governo, um grande grau de racionalidade e o desejo legítimo de colocar o país em uma situação competitiva em relação ao resto do mundo”, disse para o Valor Econômico. Fisher também afirma: “com todos os empresários que eu converso, que dependem de um cenário macroeconômico equilibrado, tenho uma percepção otimista em relação aos passos que estão sendo dados em direção a um estado menor, mais racional e mais equilibrado. Essa perspectiva protege o país de um cenário incerto por proporcionar investimentos e, consequentemente, crescimento econômico”.

Em maio, cresceu em 0,11% o custo da construção civil. O m2 ficou em R$ 1.131,89. Os dados do IBGE mostram que esta é uma das taxas mais baixas da série histórica, não superando apenas novembro de 2016, quando o valor chegou a 0,10%.

MUNDO

88% dos millenials que adquiriram um imóvel nos Estados Unidos tem, pelo menos, um arrependimento em relação à sua compra. Normalmente, está relacionado ao financiamento. Este é um dos números da Zillow no “Relatório de Aspirações de Habitação”. Para os maiores de 55 anos, a taxa de arrependimento cai para 65%.

Enquanto isso, os Baby Boomers do país estão optando por imóveis alugados, em condomínios com áreas comuns valorizadas. As construtoras estão atentas na tendência do cohousing e, de 2017 para 2018, já houve um aumento de mais de 6 mil novos condomínios, de acordo com a Associação Nacional de Construtores Residenciais.

O conceito de uma primeira casa como investimento, para depois adquirir uma maior ou melhor, está se extinguindo em Nova York. Uma pesquisa realizada pelo Zillow Group apontou que 75% dos nova iorquinos com casa própria ainda moram na sua primeira residência adquirida. O movimento se dá pelos altos preços da capital.

Na Big Apple, o setor imobiliário não ficou nem um pouco contente com as novas regulamentações na locação de imóveis anunciadas pelo senado americano. Elas fortalecem as leis de aluguel e protegem os locatários de aumentos nos valores. Cerca de um milhão de apartamentos e 2,4 milhões de pessoas são inquilinos e devem ser afetados.

Ainda nos EUA, em São Francisco, a especulação imobiliária resulta em um grande aumento nos moradores de rua. Um em cada cem habitantes não tem teto para dormir. Proporcionalmente, é a cidade americana com valores mais altos.

Todos estão atentos à guerra comercial entre China e EUA. A Austrália espera que investidores chineses, que poderiam investir no mercado imobiliário americano, migrem seus investimentos para opções australianas. Este interesse havia caído depois de ações do governo australiano com impostos maiores para compras estrangeiras.

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