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Dos baby boomers aos millennials, compartilhar a casa é tendência

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As mudanças no mercado imobiliário vêm para todas as gerações. Enquanto os baby boomers chegam na “melhor idade”, os millennials entram na faixa média de compra do primeiro imóvel. E uma tendência em comum entre todos é o compartilhamento de imóveis, com o coliving e o cohousing.

Aqui, uma breve explicação: coliving refere-se a duas ou mais pessoas morando em um mesmo imóvel, com seus espaços individuais, normalmente quartos, mas dividindo ambientes comuns, como cozinha ou banheiros. Já o cohousing lembra mais um condomínio fechado, onde cada um pode ter sua casa ou apartamento, mas há ambientes de convivência compartilhados.

Nos EUA, o investimento no mercado imobiliário sênior cresce, alcançando mais de 13 bilhões de dólares em transações só na segunda metade de 2018. O movimento já tem nome, o “silver tsunami” ou tsunami prateado. Segundo dados do National Council of Real Estate Investment Fiduciaries, a rentabilidade dos empreendimentos para pessoas mais velhas pode chegar a 11%, enquanto os tradicionais multifamiliares são cerca de 6%

Elas também estão à frente de suas demandas, caso da plataforma de moradia compartilhada criada por empreendedoras prateadasmorar.com.vc. O site é como um “tinder do coliving” e permite que o usuário filtre seus interesses, dê match com uma pessoa e passe a compartilhar sua moradia.

Em Portugal, o cohousing tem ganhado espaço. As prefeituras de Lisboa e Porto já demonstraram interesse em regularizar os projetos de cohousing e investidores privados e cooperativas já avançam nesses investimentos.

Em Nova York, estuda-se qual a melhor forma de planejar e construir estes empreendimentos, que têm demandas próprias, como o cálculo dos aluguéis ou novos espaços comunitários.

Na Ásia, o coliving também cresce entre os locatários, principalmente em Cingapura, onde várias pessoas vão à procura de emprego e estudos.

A nova geração também procura alternativas e a tendência de compartilhar cresce entre os mais jovens. Segundo projeções da consultoria PwC, a economia compartilhada deverá movimentar mais de 335 bilhões de dólares em 2025, em uma perspectiva mundial.

No Canadá, os millennials têm feito a diferença no mercado imobiliário. Toronto, Montreal e Vancouver receberam um fluxo alto de novos moradores entre 20 e 34 anos, vindos do interior e de outros países, o que aumentou as vendas e os aluguéis de imóveis nestas cidades.

Para ler mais sobre o impacto desta geração no mercado imobiliário americano, a pesquisa Tendências geracionais de compras e vendas de 2019, da National Association of Realtors, aponta que os millennials (aqueles que nasceram entre a metade dos anos 1980 e metade dos anos 1990) somam 37% de todos os compradores pelo sexto ano seguido. A geração X (nascidos entre o começo da década de 1960 e 1980) ocupa o segundo maior grupo, seguido pelos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964).

Outro dado interessante da mesma pesquisa: um terço dos millennials mais velhos comprou uma casa maior, multigeracional, para cuidar dos seus pais, que estão envelhecendo. Compartilhando casas com a própria família, num movimento contrário ao que acontece quando saem de casa, e seus pais optam por mudar-se para um imóvel menor.

ALUGUEL

O Governo Federal pediu uma revisão dos aluguéis pagos pela União, que atualmente custam cerca de R$ 1,2 bilhão. Os imóveis foram alugados em gestões anteriores, como o espaço localizado na Avenida Paulista, em SP, muito utilizado pelos ex-presidentes Lula e Temer. Recentemente, o Planalto pediu a devolução do imóvel, que pertence à Previ, e custa aproximadamente R$ 66 mil por mês. O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos também pretende retirar a Funai do atual prédio, que custa mensalmente R$ 1 milhão, e realocá-la em outro espaço.

A MRV está investindo no mercado da locação. Num projeto piloto em Belo Horizonte, a construtora lançou a unidade Luggo, com foco no gerenciamento do aluguel de apartamentos e outros serviços, como lavanderia, locação de carro e pet shop. O público-alvo é o mesmo que compra os imóveis da MRV: famílias que possam pagar aluguel entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

O mercado imobiliário tem se reinventado e apostado em novos projetos e plataformas para alavancar o setor. Tem imobiliária lançando portal de imóveis, portal entrando na venda, construtora apostando na locação. E esse movimento tem sido observado em outras empresas que atuam neste ecossistema. A CUPOLA, por exemplo, foi de uma agência de publicidade convencional a especialista no setor imobiliário. A expertise no setor a faz lançar produtos como este Imobi Report, o Diving – evento com palestras e hot seat exclusivo para clientes – e o recém-lançado Aluguel Master.

O Aluguel Master é um treinamento intensivo para imobiliárias de locação. São dois dias de palestras (3 e 4 de agosto) e mentoria com empreendedores de renome no mercado de aluguel de imóveis. O treinamento envolve a remodelação de processos e a descoberta de novas oportunidades de faturamento, além de compartilhar melhores práticas para o marketing da imobiliária e a experiência dos clientes de locação. O primeiro lote de ingressos está disponível até hoje e 40% das vagas já foram preenchidas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Após meses de incerteza, surge uma luz para o Minha Casa Minha Vida. O Governo Federal sinalizou a liberação de R$ 800 milhões para o programa, valor que deve durar até junho. Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o problema do MCMV são os distratosEm entrevista ao lado do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que há 60 mil obras do programa não terminadas e 70 mil casas devolvidas. Este pode ser o momento de imobiliárias e incorporadoras entrarem na jogada, dando destino a esses imóveis

Mas o destaque da semana veio da reunião entre o secretário nacional de Habitação, Celso Matsuda, e empresários no Sinduscon de São Paulo. Na ocasião, o Governo Federal cedeu a proposta do setor e anunciou a redução do subsídio aportado pelo governo ao programa, de 10% para 3%. A medida deve agilizar a liberação de contratos para as faixas 1,5, 2 e 3 do MCMV, mas deve dificultar o acesso das famílias mais pobres, da faixa 1, que dependem mais do subsídio. Mas não ficou só por isso.

O MCMV de Bolsonaro virá por meio de medida provisória. Segundo o secretário Matsuda, as diretrizes para a próxima fase do programa habitacional serão apresentadas no dia 8 de julho. Começa pela mudança do nome, conforme antecipamos na primeira edição do Imobi Report. Para a faixa 1 do programa, o Governo Federal espera estabelecer parcerias com empresas privadas para a construção de empreendimentos de uso misto e de moradias direcionadas ao aluguel social. Todas as faixas, metas e valores serão revistas.

Terrenos e imóveis ociosos da União devem ser destinados ao MCMV. O aporte do FGTS, estimado em R$ 60 bilhões, será mantido e mais recursos da Caixa e do BNDES devem entrar para o programa. O BNDES entra em campo como elo dos empreendimentos a projetos de infraestrutura e saneamento. A nova visão do projeto passa a mirar a construção de novos bairros inteiros e não apenas o empreendimento em si.

As propostas acalmam os ânimos, mas não vêm a tempo de uma retomada neste ano. “Mesmo que a reforma da Previdência seja aprovada e venham medidas para destravar a economia, dificilmente o mercado formal crescerá em 2019”, mostra análise publicada pela Folha de S. Paulo. Devido ao ciclo de desenvolvimento longo dos empreendimentos, apenas empresas que atuam no início dos projetos devem observar crescimento, o que deve puxar o PIB do setor para cima em algo entre 1% e 2%. Já para as construtoras, a colheita deve ficar mesmo para 2020.

Após um ano do incêndio no Edifício Wilton Paes de Almeida, em SP, o jornal A Escola e a Cidade repostou uma análise sobre política habitacional. “Primeiramente, o MCMV. Em poucas palavras: um programa habitacional não pode ser um programa de aceleração econômica, já que o problema da falta de moradia é causado por ela. A consequência é clara: a cada família atendida, outras tantas são removidas pelo aumento do preço dos materiais, mão de obra e, principalmente, da terra e seus derivados (como o aluguel). Houve uma opção pelo MCMV em detrimento do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, e ela não foi só do governo e do mercado, mas também da sociedade e dos movimentos populares, que passaram a ter conquistas materiais”.

Policiais podem ganhar um programa habitacional próprio. O ministro Sérgio Moro pretende alocar 20% das verbas das loterias que são destinadas ao Programa Nacional de Qualidade de Vida para os Profissionais de Segurança Pública, o Pró-Vida, na criação de um “Minha Casa Minha Vida da Segurança Pública”. Moro deve apresentar em até 3 meses um relatório final com a proposta.

O governo brasileiro pretende implantar a hipoteca reversa, medida comum em outros países, como os Estados Unidos. Nesse modelo, idosos proprietários de imóveis poderão fazer um contrato de crédito com instituições financeiras e ceder o seu imóvel como garantia em troca de uma renda vitalícia. Quando a pessoa falecer, o imóvel é repassado diretamente para a instituição financeira, sem que herdeiros ou familiares tenham direito. Na Espanha, a prática é feita também com investidores privados, conhecida como nua-propriedade.

Hoje, os idosos são donos de 5,7 milhões de imóveis no Brasil. Com a hipoteca reversa, esse público poderia optar por receber o dinheiro mensalmente ou todo de uma vez. O cálculo do benefício seria feito com base no valor de cada propriedade. A proposta é, principalmente, uma vantagem para quem não tem familiares ou herdeiros.

Para não ser lembrada do mesmo modo como ficou conhecida por muitos brasileiros, a construtora Odebrecht mudou seu nome para OEC, além da cor da marca, que passou de vermelho para verde, azul e cinza. A intenção é dissociar o nome da empresa do escândalo da Lava Jato.

TECNOLOGIA

O Jornal EXTRA lançou um assistente virtual, o Seu Castelar, que tira dúvidas sobre compra e venda de imóveis. É possível entrar em contato com ele pelo chat que funciona 24h, ou pelo e-mail castelar@extra.inf.br.

Empresários podem alugar um espaço comercial pelo tempo que precisar, mesmo que por um único dia. Aplicativo desenvolvido em SP permite que a locação seja feita pelo app e a condição é que o locatário, caso queira, faça apenas pequenas alterações no espaço. Custos como IPTU e tarifas de água e energia são repassados com base no período que a empresa fica no local. A medida ajuda os dois lados: de quem precisa alugar um imóvel comercial e de quem não quer deixar o espaço desocupado por muito tempo.

Mark Zuckerberg pode até não se importar tanto com a privacidade nas redes sociais dos seus usuários. Mas na sua vida pessoal, o assunto é prioridade. Ao comprar um imóvel, o CEO do Facebook faz pressão para comprar as residências que estão ao redor da sua casa nova. Além disso, ele também faz com que os corretores assinem contratos de confidencialidade, se comprometendo a não contar a localização de seus imóveis pessoais, tampouco divulgar fotos.

AGENDA

Na próxima quinta, dia 16 de maio, acontece o Smartus Proptech Summit, em São Paulo. O ImobiReport estará presente para trazer uma cobertura do evento aqui na nossa news. A programação completa está disponível. São 8 temas em debate apontando as principais inovações e tecnologias que vieram para modernizar o mercado imobiliário brasileiro. Ainda dá tempo de participar.

VENDAS

Mais da metade dos novos proprietários de imóveis de 2018 ainda acreditam que o preço vai subir em 2019. Mas analistas apontam que a valorização real (acima da inflação) só deve chegar a partir de 2020.

O Rio de Janeiro regularizou os miniapartamentos. Agora, devem ter a metragem mínimo de 25m² e são a aposta do mercado imobiliário local. Além desta mudança, outros 40 novos artigos simplificam e regularizam a legislação urbanística do município.

As tinyhouses ao redor do mundo podem ser móveis. Além de solução para o déficit habitacional, dão liberdade de localização. Em alguns países, como Portugal, as tinyhouses são consideradas uma moradia temporária e não podem ficar estacionadas no mesmo terreno por muito tempo. Nesta galeria, algumas tiny houses portuguesas.

E para as horas vagas: entrou no catálogo da Netflix a série Movimento Tiny House, que acompanha especialistas na construção de minicasas sobre rodas ao redor dos Estados Unidos.

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